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O Navio de Durmstrang

Re: O Navio de Durmstrang

MensagemUcrania [#180591] por Yevhen Kirdyapkin » 09 Out 2017, 18:21

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Yevhen não contava com a participação inusitada de uma garotinha fofa pra c******, de olhinhos espichados e roupas... roupas que pareciam sair de um tour pela Disney em sua cabine. O ucraniano até tentou pegar alguns doces, mas, por julgar estar num Mundo Mágico, logo aquela máquina medonha também seria mágica, apelara por ações grotescas, dignas de um sangue-ruim, como eram ainda chamados os nascidos trouxas ali em Durmstrang. A menina era gentil, o que deixou Yevhen irritado. Até lhe deu algumas moedas estranhas, totalmente diferente das que conhecia em Kiev. O garoto pensou ser de brinquedo, alguma coisa que circulava entre os alunos de Durmstrang e que equivaleria ao dinheiro. Mas, estava tão por fora como caroço de azeitona em boca de banguelo.

- Por que a pergunta? - seu tom de voz arrogante contrastava ao doce e empático da menina ao seu lado, que parecia não se aquebrantar com a grosseria do menino. Possivelmente acostumada a julgar pelo lugar onde estudava. - e você tem um nome estranho, O-ha-na. - disse olhando-a com uma feição de estranheza, como se visse um animal exótico no zoológico, mas, no fundo, embora obviamente jamais aceitasse, sentia menos amedrontado com alguém de aparência trouxa a julgar pelo bando de bruxos que vira lá fora. - não se usa este graveto que vocês chamam de varinha para pegar os doces? - perguntou, petulante.

Pegou as moedas medonhas, olhando desconfiado para menina e pela praticidade da geringonça.
- hum... - fez o que ela ilustrou, a princípio, apreensivo. Ela podia muito bem estar bancando a legalzinha, mas, no fundo, queria apenas f**** com um calouro novato dos infernos. Depois, correria para todas as cabines, dizendo quão noob nosso moleque era. - não sabia que vocês bruxos customizam coisas trouxas.- disse após ver a praticidade da coisa e se estranhar com isto. Pegou vários doces tantos quantos o dinheiro lhe permitia. Quem sabe não tivesse uma dor de barriga foda do c****** e precisava ser internado em algum lugar fora do instituto? Não custava nada tentar. - Parece que a magia não é tão prática como alguns pelos corredores dizem. - sua voz era risonha e atrevida, caçoando do personagem onipresente chamado "magia".

Em seguida, Yevhen se jogou no sofá, com o colo cheio de doces, esquecendo de agradecer a menina pelo gesto gentil. Não queria bancar o bonzinho com ela. Vai que depois ela zoasse com ele. Não ofereceu tampouco os doces. Afinal, se ea tinha dinheiro para dar para ele, teria também para comprar para si própria, caso quisesse adoçar a vida. Por isto, comeria tudo sozinho. A menina mantinha a mesma compostura, educada e gentil. Tentava ser agradável, enquanto o ucraniano só queria jogá-la para fora da cabine e comer seus doces sozinho. Falava de Peter Pan, até videogame, gente. Mulher jogando videogame. Pelo jeito dela, deveria ser aqueles de por roupinha em bonecas e fazer docinhos.
- Como assim Peter Pan? - perguntou curioso enquanto puxa uma goma medonha de sua boca e joga fora - treco tem gosto estranho. Bleah - fez cara de vômito, querendo tirar aquele gosto horrível da boca. Em seguida, limpou o dedo sujo na calça jeans que usava.

- Minha mãe é - respondeu à garota. - Meu pai finge que é e minha irmã por enquanto tá sendo. - explicou em frases básicas a natureza trouxa de sua família. - Claro. - respondeu, com petulância. - que garoto não gosta de jogar videogame? - disse retórico e altivo. - na minha casa tenho vários - contava vantagem. - UFC, corrida, futebol, mas, meu preferido é de UFC. - pegou outro doce para tentar disfarçar o gosto. - Você joga qual? - perguntou com interesse, embora já imaginasse a resposta.

A menina falava que nem um gravador. Não parava um minuto, nem se a gente retirasse a pilha. Lá estava ela. Falando. Falando. Mas, pelo menos, a viagem poderia passar menos longeva, menos chata, mais suportável. Ela ofereceu um doce para Yevhen ao ver que nem o segundo que ele tomara conseguiu tirar o gosto ruim do anterior. E realmente, o que ela deu ajudou pra caramba a tirar o gosto ruim da boca. E meu... a garota era campeã da liga iniciante de Overwatch. Yevhen riu por dentro. Como uma guria daquela jogava um jogo daquele? De tiros e tudo mais? Aparência realmente é algo peculiar e de difícil conclusão para se avaliar alguém.

Lembrara do desenho Peter Pan que ela citara anteriormente. Nina volta e meia assistia. Adorava a tal de Sininho. Fez até um aniversário com aquela temática idiota. Falando na irmã...
- tomara que ela não tenha - disse não no sentido ruim, mas, de não querer que a irmã passasse por tudo aquilo também. Preferia ser "aborto" uma terminologia desconhecida para o garoto, mas, cujo sentido ele desejava, mesmo que Nina ansiasse por estar numa escola de bruxos. - Onde vivo, a magia não parece útil. - falava com sinceridade. - Ainda mais que não se pode usar magia perto de trouxas. Assim, que graça tem? Vivemos com um bando de gente assim. - soava irritadiço ao se lembrar para onde estava indo e porque - e você acha útil isto? Quer viver entre eles? - perguntava curioso. Pls.. que ela pensasse que nem ele. Mas, claro. Estava enganado. Yevhen seria único ali no Instituto. - é engraçado ver menina gostar de videogame de tiro - soava machista, sem saber. - ainda mais uma que se emperiquita com coisas de ursinhos e tal. - apontou para o troço estranho que ela segurava nos braços, o Mr. Mew.


With: O ha Na! <3
Notes: Não revisado.
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Re: O Navio de Durmstrang

MensagemNoruega [#180670] por Ingrid Glücksburg » 12 Out 2017, 17:33

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    - Você acha que é boa assim aquela porcaria de escola? Qual ponto você não entendeu que eu e o Sverre estivemos doentes e por isso não conseguimos recuperar? – Insanidade, meu pai só poderia estar portando isso. Ele parecia não compreender o fato de termos ficado doente e até mesmo meu irmão parecia sofrer com isso. Não que eu goste do pirralho, mas se tem algo que me mata é vê-lo recebendo bronca ou sendo sacaneado por alguém. Tira-me do sério! Argh! A vossa majestosidade majestade interrompera-me com aquela ladainha de disciplina e ao menos dirigia-se mais brando ao meu irmão. Ele o dispensara e ficamos nós dois. – Desapontada?! –Quisera ser mais agressiva, porém o que mais irritava era o fato dele apelar para a mamãe todas as vezes achando que poderia me atingir. E atingia.

    Os seus questionamentos não eram tão errados se ele tivesse prestado atenção que estava doente e que ao ver meu irmão meio ruim, também não aguentei. Ele não viu quando ficamos mais unidos e eu fiquei mais séria. Para ele, só importava o bebê que estava para vir e todo o resto do mundo, menos nós jogados naquela escola. E o pior... Apenas eu percebia que tínhamos sido jogados de lado. Sverre parecia cego nesse ponto.– De que adianta ser a **** da primogênita se não tenho vocês comigo? – Xingara sentindo meu corpo tremelicar de raiva e meus olhos ficarem quase com a visão turva. Não gostava disso. Não gostava de brigar com minha mãe e por isso, o pior sempre ficava entre eu e aquele homem cruel que desejava ser a mais perfeita do mundo. Eu não era a perfeita e nem queria ser a caralha da Noruega. Estremecera. Os passos do meu pai se tornaram mais pesados e sua voz mais severa. Não precisava gritar, mas conseguia sentir minhas pernas vacilarem diante de seu enorme ego. Um dia teria de enfrenta-lo, um dia teria de estufar o peito e... – É agora! – Sussurrei quase que sem mover os lábios. Fechara as mãos em punhos e...

    -Você que tenha modos comigo! Não vou me tornar o que você quer, eu controlo a minha vida e dela quem cuida sou eu! EUO! – Podia sentir lágrimas escorrerem pela lateral dos rostos. – Estou cansada de ditarem a **** dos modos, de aquilo ou de isso. De não ter liberdade! Acha que é normal ser uma criança criada aqui? É horrível! Invejo as garotas plebeias por não ter um pai chato que nem você! Elas cuidam delas mesmo na vida delas! –Finalizara sentindo que meu corpo estava todo vermelho de fúria. O consentimento do rei saíra de tal modo que meu peito doía de dor. Seus olhos pareciam que iriam me socar e eu só queria sair dali. Dada seu ponto final, seguira para o quarto chorar alguns litros e preparar as coisas. Obviamente, iria para a rota de fuga que sempre havia preparado e apenas deitei na cama já sabendo que estava tudo certo: mesada separada por meses pronta; local para dormir okay e só faltam as roupas, mas precisava sossegar um pouco e adormeci.

    - Ingrid... – Mamãe acordara-me de forma mais carinhosa. Provavelmente ela já sabia do que acontecera. – Desculpe. – Soltava envergonhada. – Sei não sou o que vocês sonhavam que poderia ser, mas não quero mais causar problemas para você e o Sverre.– Ainda sentia ódio do meu pai e por isso não iria nomeá-lo. – Não perdi o ano por ficar vadiando ou vagabundando. Não é fácil. EU juro que tentei, mas... – Suspirara ouvindo-a e sentindo meu peito apertar mais. – Eu sei... Mas quero ir. É sufocante viver aqui. Não queria ter nascido princesa... Eu vejo as pessoas normais e... Queria que pudéssemos ser uma família normal.– Sentia o peso de ser realeza em meus ombros de tal maneira que não conseguiria suportar. – Sei me cuidar. Prometo ficar um tempo. A mesada já dá. – Levantara e mostrara o que tinha de acumulado de mesada. – Pelos cálculos sobrevivo um mês. É o que preciso. –Tentava acalmá-la.– Estou decidida e a senhora sabe que quando tenho algo em mente, não abro mão. – Soltara doce e gentil. Não queria mais brigar ou ter problemas. Para meu pai, eu parecia um demônio e para minha mãe, estava sendo um anjo. Abraçara-a. – Obrigada. –E assim foi como ficamos. Até o anoitecer somente falava com Sverre ou com minha mãe ignorando completamente meu pai.

    - Sverre. Se cuida e não deixa eles dominarem sua vida. Você pode se impor além de ser um robozinho sem graça. – Abraçara-o despedindo-me do jovem irmão.– Irei me cuidar bem, você sabe. – E finalmente entrara no carro vendo minha mãe ficar triste por sair daquela forma. Podia sentir uma dor no peito tão grande que faltava ar. Ao longe, meu pai olhava-me pela janela do quarto do terceiro andar do castelo. Ele sequer se despedira de mim e seu olhar ainda era severo. – Vamos. – Dissera ao motorista e fora a última vez que vira minha família nas férias. Morar um mês no mundo trouxa como trouxa, tendo de trabalhar em uma lanchonete ou jogando cartas roubando o pessoal, não parecia ser algo muito certo, mas graças ao novo corte de cabelo, pintura e visual novo, não era reconhecida e podia muito bem viver livremente. A hospedaria acreditara que era uma estudante de cidade distante que havia recém-chegado à cidade para poder estudar no colégio regional. Também como meio período aceitara me dar um emprego de limpar as mesas e servir as pessoas na recepção. Uma semana ou outra fora cansativo, o toque de recolher existia porque segundo a dona, ela poderia ser presa por permitir uma menor de outra cidade perambular de madrugada na noite e também porque não queria ser pega pela polícia para depois não ir parar no castelo.

    E essas foram minhas férias. Uma fuga da delegacia, trabalho na hospedaria, um pouco de álcool e liberdade. Acreditem. Não é tão legal assim e algumas vezes desejara voltar para o castelo, sentia falta de todos e principalmente de Sverre e mamãe... Okay, também sentia falta do meu pai... Todas as noites a dor no peito e a falta de ar apertava de tal maneira que mal conseguira dormir na primeira semana. Era tudo muito angustiante. E como o acordado, após as férias acabarem, retornara para o castelo sem deixar muitos dias para conviver com meu pai e até mesmo porque ele parecia estar muito ocupado, de tal maneira que mal o vira. Mamãe parecia tão alegre e amável. Dizia até que tinha crescido e amadurecido... Me tratava tão diferente de antes que até que curtira e nos aproximamos mais. Sverre mesmo não admitindo mostrou sentir falta e fizera jus. Não lhe perturbara mais, contudo, agora estava de volta e de alguma maneira sentia que tinha mudado.

    O dia amanheceu e nossos pais foram nos deixar pessoalmente para o Navio de Durms. Meu pai parecia mais calado comigo e mamis estava até que bem. Ela sabia que havia mudado, ela vira em uma reunião das Ladys no chá que tinha amadurecido e nossa aproximação estava tão gostosa que queria fazer de tudo para alegrá-la. – Boa viagem e qualquer coisa nos comunique. – Dissera docemente Hild enquanto me abraçava. Meu pai apenas me observara ao longe, mas podia saber que em seu olhar ele queria agir mais... Éramos parecidos nisso e eu também sentia aquela vontade de abraça-lo e deixar o passado para tras, más visto a teimosia, permanecera quieta.– Boa viagem e juízo. –Foi a única coisa que ele dissera para mim enquanto já se despedia melhor de Sverre. Argh! Que garoto! Ele nem parecia que era meu irmão.– Vamos pirralho. –Puxara-o mais nervoso por vê-lo que ele teve mais atenção do Rei do que eu.– Apenas vamos. Estamos atrasados. Olha a pontualidade! –Dera uma desculpa mau humorada.– Nem parece que é meu irmão! – Soltara um pequeno sorriso de canto de rosto inconformada.– Teremos um bom ano. –Lançava uma piscadela enquanto seguíamos para as cabines apressadamente.

Off: precisa não, tem exatamente 355 palavras. Está sussa e com você é sussa. Não merece.
É só pra quem merece, tipo aqueles q apunhalam amiguinhos pelas costas... cruz credo! uashuahsuhas

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  • Cachecol Romanov

    Usou um Cachecol Romanov.

  • Conj. Camisa, Gravata e Pulover Romanov

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Re: O Navio de Durmstrang

MensagemFranca [#180681] por Annika Osborn Aingremont » 13 Out 2017, 18:18

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    TRAMA OFICIAL - 001


    Que o estresse e o mau humor são corriqueiros na vida de Annika, não é novidade para ninguém. Ela é uma menina mimada, com um ciclo de amizade bem restrito devido às inúmeras condições que ela impõe para que andem ao seu lado, com um gênio um pouco difícil de lidar, entre outras coisa mais. O que tanto Robert quanto Elisabeth não contavam era o fato da filha única ter passado as férias inteiras com poucas palavras. Ela simplesmente não queria conversar sobre mais nada. A escola “está tudo bem”. O estágio “vou procurar outro”. O namoro “está ótimo”. Os duelos “estou melhorando”. Estava sendo simplesmente impossível tirá-la da frente do vídeo game ou de seus livros de literatura clássica – as únicas coisas que distraíam sua mente de forma temporária. A verdade é que Nika não estava bem e não se sentia à vontade para falar nenhum dos assuntos com seus pais.

    Estava triste por não ter mais Ivan e Ayesha ao seu lado no próximo ano letivo, sentia que não tinha passado tempo o suficiente com eles no ano anterior e aquilo lhe magoava profundamente. Suas notas na escola, apesar de serem boas, não representavam o sentimento dela. Annika tinha ido para Durmstrang para treinar até a exaustão seu físico, mental e seu lado mágico. Com toda aquela algazarra de torneio tribruxo e acampamento, ela sentiu que o tempo estava sendo em vão. Ela soube que Alphonse seria “promovido” a diretor da Romanov – a única notícia boa naquela droga de férias – e tinha determinado que falaria com ele a respeito de um clube rigoroso de duelos e uma rotina mais puxada de treinamentos. Seria monitora outra vez, e estava disposta a treinar todos aqueles jovens até os corpos suarem sangue. Precisavam ter um representante à altura no próximo torneio tribruxo.

    O estágio ela tinha abandonado devido a falta de interesse mesmo. Aquela não era a área que ela gostava de atuar, Annika detestava criaturas mágicas e aqueles inúmeros relatórios sobre ovos de dragão já estavam lhe tirando do sério. Queria fazer algo mais importante, aprender de verdade sobre isso. Logo, ela precisava encontrar outro lugar que estivesse disposto a encontra um estagiário – o que não era fácil – sem ser o chato do Hospital e o pior ainda Jornal Lumus. Não! Ela queria ser grande, fazer algo grande. Ser respeitada quando saísse de Durmstrang. Aquele papinho de empregos por responsabilidade não colavam mais. Já havia sido comportada além da conta no ano anterior, sendo então liberada do castigo por ter sido detida nas férias passadas. Não ia sonhar pequeno a vida toda.

    Já na área do combate, há muito tempo não duelava de verdade. Parece que todos os homens daquela maldita escola haviam se tornado frouxos demais para encararem uma luta com uma dama sem ter pena dela. Após a saída de Ivan – o único que aceitava o desafio, embora fosse um momento de muito mais risadas que duelos -, ela se sentia desamparada. Precisava de alguém como Marko, como Leopold. Por instantes ela chegou a sentir falta dos dois, da amizade, é claro, pois o lado romântico havia sido um fiasco. Definitivamente não. Precisava encontrar uma nova “cobaia”.

    Agora em relação à Fearadhach, a melhor coisa que lhe aconteceu nos últimos tempos. Ela estava extremamente frustrada por conta de todos os seus planos de férias ao lado de seu namorado terem sido frustrados por causa da pessoa que ele obrigatoriamente chama de mãe. Annika queria matar aquela mulher de qualquer forma, vingar cada arranhãozinho que havia provocado nele. Saindo do âmbito egoísta e raivoso, a menina estava verdadeiramente preocupada com ele. Não podia procura-lo, mandar cartas ou coisas parecidas. Sua péssima e escassa comunicação estava sendo por conta de um irmão mais novo, que ele descobriu existir repentinamente. Nika queria saber que tanto de criança que surgia na família dele. Primeiro uma sobrinha, agora um irmão, todos pirralhos. OK. Ela estava disposta a esquecer que odiava crianças e conviver ~amigavelmente~ com elas apenas para ver o sorriso de volta no rosto de Fred.

    A parte que estava lhe tirando o sério de verdade era o fato de Fearadhach achar que ela era uma boneca de porcelana, um ser imaculado ou qualquer coisa do tipo e levar aqueles (muitos) meses de namoro a base de beijinhos e abracinhos. Não que aquilo fosse ruim, Annika amava ficar agarradinha de dengo com ele, dar amassos escondidos pelos corredores, o jeito que ele cuidava dela, aquele olhar carinhoso... Só que ao mesmo tempo ela se sentia muito rejeitada. Ora, Fred tem uma fama conhecida por todas as meninas do quinto até o sétimo ano de Beauxbatons, Hogwarts e Durmstrang – fora as desconhecidas mais velhas que Annika sequer tem coragem de saber. Era muito “injusto”, uma “afronta” e um “desaforo” que ela, justo ela, que havia conseguido o coração do rapaz, não conseguisse “outra coisa”. Eles tinham discutido algumas vezes por isso no final do ano, mas Annika estava decidida que não discutiria mais. O plano era agir.

    Havia passado os 15 primeiros dias com seu pai, Robert, na Rússia. É óbvio que ela tentou a cada segundo não ser ingrata ou um peso para ele, se esforçando para ser agradável e conseguir ser uma boa companhia. Ela ainda não entendia o que aconteceu de tão errado no casamento dele e de Liz a ponto que eles se separassem, mas já respeitava aquela decisão. Só que Nika sentia que o pai ficava muito tempo sozinho e aquilo a entristecia. Liz já tinha arrumado um namoradinho – que não durou muito tempo -, mas ele ainda não lhe apresentou ninguém. Eles comeram pizza, saíram para fazer compras, passearam em seus locais favoritos na Rússia, jogaram videogames e até conversaram um pouco sobre o assunto que deixava Nika feliz: o noivado de Ayesha e Ivan.

    Os outros 15 dias foram com sua mãe, Elizabeth, na França. O relacionamento das duas melhorou consideravelmente nos últimos meses em que Annika fez o que estava a seu alcance para ser uma filha “normal”, isto é, sem se meter em encrencas o tempo todo ou se fazer de doida. Nika tentava distrair a mãe algumas vezes quando ela tocava nos assuntos “indesejáveis” citados anteriormente. Não queria passar mais tempo das suas férias remoendo aquilo, além de que não havia necessidade alguma de preocupar Liz com os seus “problemas pequenos”. Sabia que sua mãe era extremamente ocupada no ministério e que não precisava ficar em cima dela como se não soubesse resolver sua vida sozinha. Liz era a mulher que Annika mais admirava e por isso elas brigavam. Silenciosamente, Nika tentava ser perfeita como Liz, só que com um toque a mais de ego e obsessão.

    A boa notícia é que Robert aceitou o convite de Liz para passar o último dia de férias da Annika com elas. Assim, a menina tirou de cima dos ombros o peso de ter que dividir igualmente as atenções. Ela amava os dois, queria poder não ter que dividir as coisas, só que se não fosse assim, não seria nunca. Por mais durona e metida a saber cuidar da própria vida, Nika não se sentia preparada para aquilo sozinha. Tinha até cogitado uma possibilidade remota de fugir com Fred para que ele não tivesse que voltar para a casa da mãe, só que não tinham nem condições financeiras e nem emocionais para tal feito. Calma. Uma coisa de cada vez. Ele era seu namorado e não um melhor amigo para dividir apartamento. Ir embora com ele seria sinônimo de muita coisa que agora não era a hora.

    Teve um dia incrível com eles, como há muito tempo não acontecia. Eles jogaram juntos, comeram juntos todas as refeições, conversaram amigavelmente sobre trabalhos, sobre carreiras e até mesmo sobre as bandas que Annika estava ouvindo ultimamente. Foi com aquele sentimento de felicidade e de gratidão que Nika acordou naquela manhã, pronta e revigorada para colocar todos os seus planos em prática no seu quinto ano letivo em Durmstrang – que na verdade era o sexto, tendo em vista que repetiu um, mas não é preciso lembrar coisas ruins agora. Ao contrário de todos os anos que se passaram, ela estava com seus enormes cabelos longos, castanhos no começo e loiros nas pontas (com autorização de Liz) até a cintura, sua tiara de orelhas de gatinha e o broche de monitora reluzente preso ao seu sobretudo preto. Como sempre, a calça jeans escura dava um ar mais jovial ao seu estilo, com seu salto alto preto de praxe, uma bolsa de ombro da Chanel, luvas brancas combinando com o cachecol.

    - Vamos, vamos! Eu não posso me atrasar – apressava Liz e Robert enquanto pegava a caixinha que estava seu gato preto de olhos amarelos. –Não quero aquele comandante insuportável escarrando caracas em meu casaco! – Resmungou áspera.

    - Papai, você pode trazer o meu malão maior, por favor? – A palavra direcionada ao pai saiu mais doce de seus lábios e logo Nika tratou de dar a mão livre para Elizabeth. – Sei que você vai morrer de saudade de mim – um sorriso travesso compôs sua expressão divertida.

    Não adiantava esconder: podiam passar anos, Nika sempre sentia aquela pontinha de ansiedade forrar seu estômago a cada 1º de setembro. Permanecer em Durmstrang era motivo de orgulho e satisfação pessoal da mesma. Fazia o que fosse preciso para que pudesse encerrar a sua jornada escolar na “melhor escola de bruxaria do mundo mágico”. Mesmo ansiosa, um sentimento de tristeza lhe enchia o peito. Era a primeira vez que não teria dois de seus melhores amigos ao seu lado. Estava sendo difícil não pensar naquilo.

    Sentiu um puxão no umbigo e uma súbita vontade de colocar todo o seu lanche para fora, mas aquela sensação incômoda – por sorte – durou pouco tempo e lá estavam naquele cais modorrento. Nika sabia que nem de longe aquele era o lugar que seus pais queriam levá-la. Entretanto, a garota conseguia ver beleza naquele cenário saburrento. Sabia que ali era o lar para bruxos competentes. Era seu lar por mais uma temporada.

    - Cuidem-se, vocês dois – ela beijou a face de seus progenitores com carinho e limpou a sutil marquinha de batom que havia deixado neles. – Assim como me cobram que eu escreva para vocês, façam o mesmo! Quero saber das novidades, um ano é tempo demais... – deu uma piscadela. – Agora eu tenho que ir, o trabalho me espera – apontou para seu broche e saiu em disparada sobre seus saltos.

    As bagagens já haviam sido guardadas e mantendo a postura de quebrar tradições, Hamlet – o gato feio – estava dentro de sua caixinha de transporte, um tanto contrariado. Aingremont nutria esperanças de que conseguisse ficar sozinha na cabine com Fearadhach, mas para isso ela precisava conseguir reunir um grupinho de pirralhos, os apresentar e fazer com que seu mais novo cunhado se adaptasse a eles. Difícil? Muita coisa. Só que nada era impossível para aquela determinação.

    - Damiana! Oh! Céus! – ela se apressou em direção a morena e a puxou para um abraço saudoso. A eterna briga dos pais de Damiana sempre faziam com que sua ida para Durmstrang fosse uma incógnita, por isso o alívio se manifestava no rosto da francesa. – Como é bom vê-la aqui! – Se afastou um pouco da mesma e olhou o casal que lhe acompanhava. – Olá, Sr.e Sra.Makarov. Também é bom revê-los. Espero que a viagem para a Irlanda tenha sido incrível – sorriu amigavelmente para eles. Nika tinha ciência de que os dois não gostavam muito nem dela, nem de Valentina, mas em momento algum eles demonstraram isso.

    Ela esperou que a menina se despedisse dos pais e puxou Damiana para procurarem a terceira parte do trio. - Você sabe quem vai ser nosso diretor esse ano? – Nika fez uma expressão engraçada, piscando os olhinhos. – Sim, pirilim! Alphonse Friedrich! Agora nem você e nem qualquer outra romanov precisará de desculpas para ver aquele rostinho lindo, o sotaque incrível e aquela educação ímpar... Mas eu preciso me controlar, né – Nika mostrou o anelzinho em seu dedo – estou muito feliz com o meu. Aliás, vou ter um pouco mais de trabalho esse ano, só que eu acho que vai valer à pena.

    As duas tagarelaram sobre a Irlanda, destino de viagem de Damiana enquanto caçavam a loira. Geralmente ela era a primeira a aparecer e aquilo estava deixando a francesa um pouco nervosa. Dami era a sua destra. Embora fosse a segunda pessoa que ela mais discutia, quase todos os seus planos para aquele ano letivo contavam com a participação daquela criatura. Assim que seus olhos avistaram a garota agarrada ao rurik de sempre, ela bufou. Tinha raiva daquele garoto e não somente pela cor do uniforme do mesmo. Não aceitava que sua melhor amiga fosse tão pano de chão a ponto de se arrastar para ele após todas as mancadas. Nika deu meia volta.

    - Eu me recuso, Dami – soltou o braço da menina. – Fique à vontade para chama-la. Não quero dividir o metro cúbico de ar com esse asqueroso. Tenho pessoas mais importantes para encontrar, inclusive – Nika sequer ouviu o que Damiana teve a dizer. Apenas trocou olhares distantes com Valentina e fez um gesto que a encontraria dentro do navio.

    Localizar Fearadhach não era difícil, sobretudo porque agora ele tinha uma sombra em miniatura. Nika fechou os olhos, respirou fundo e sorriu enquanto caminhava pomposa até eles. Seu coração começava a ficar inquieto e o gelo derretia com o calor gostoso que crescia ao se aproximar do mais velho. Era a primeira vez que se viam desde o ano anterior, por mais que tivessem sido algumas semanas, ela sentia como meses. Chegou sorrateira por trás dele, e como estava de salto alto não foi preciso ficar na ponta dos pés para dar um beijinho delicado em sua nuca enquanto deslizava suas mãos carinhosamente pelo peito.

    - Oi, meu amor! – Exclamou já ficando ao lado dele e lhe dando um selinho. Em seguida, ela direcionou as atenções para o pequenino. – Olá, jovenzinho! Você deve ser o famoso Gale – Nika sorriu e estendeu a mão para cumprimenta-lo. – Fico feliz de, enfim, conhecer você. Tenho certeza que vai adorar Durmstrang. Um pequeno conselho antes de embarcar é ficar fora do caminho dos marinheiros – acrescentou. – Acho que temos muita coisa para colocar em dia, não? – Olhou para Fred e tentou não se perder naquele olhar. O rapaz tinha que detalhar as férias longe da garota. – Vamos embarcar?


    ▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
    Notas: Acho que alguém odeia a player por não ter postado nas férias... ± Annika veste isso
    Citados: Elizabeth Osborn, Robert Aingremont, Ayesha Friedrich, Ivan Shuisky, Leopold Waechter, Marko Götze.
    Interações: Damiana Makarov & Valentina Adamovich [NPCs], Fearadhach Shackleton ♥, Gale Shackleton.

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