JORNAL LUMMUS

LIECHTESTEIN, 14 DE JANEIRO DE 2015

ABORTO. SERÁ ELE ÚTIL?
Pessoas não aptas magicamente têm espaço entre população bruxa?

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Abortos são realmente inúteis para a sociedade mágica? Ricos talentos excepcionais se escondem atrás de cabeças confusas. Será então perca de tempo me deslocar e entrevistar mais um cidadão que é vítima de preconceitos por sua falta de aptidão mágica? Outrora, peguei-me fazendo essa mesma pergunta, mas lhe respondo, caro leitor... Cada minuto extraindo ricas informações e experiências de um aborto "excepcionalmente talentoso" - aquele que me concedeu essa divertida honra -, foi deveras gratificante. Taylor Garbachevski (Casablanca/Marrocos), nascido em 31 de dezembro no ano de 1994. Trabalha atualmente como Zelador no Instituto Durmstrang de Ensinamentos em Magia. Nosso querido convidado teve o prazer de se locomover em uma noite estrelada até o misterioso e sombrio bar Cabeça de Javali em Hogsmeade. Ao chegar ao local, como de costume vazio, sento-me em uma mesa mais insolada das outras, para melhor privacidade, afinal não costumo confiar nem no dono. Pego meu bloquinho e minha especial pena de repetição rápida. Taylor por sua vez, ao adentrar no local, mostra-se ser um homem muito pontual, já que não pode aparatar.

De acordo com as informações adquiridas por mim, Taylor não tem nenhum conhecimento de seus pais biológicos. Cremos que, para sabermos de nosso passado, de nossa geração e de nossa origem, realmente precisamos deles: os progenitores. Então cresceu uma grande dúvida de como esse nobre rapaz descobriu-se “aborto”. Taylor sorri de maneira singela, desviando o olhar por um segundo e voltando a encarar-me. “... Foi há poucos meses atrás”, responde ele ainda me encarando, “um encontro inesperado ainda em Marrocos acabou me revelando um pouco mais de minhas... Origens. É óbvio que isso acabou por aguçar meu instinto investigativo e entender qual o paradeiro de meus pais - se estão mortos ou não”. O rapaz mostra-se realmente decidido a encontrar seus verdadeiros pais.

Angustiado, sofrendo e confuso, Taylor teve que viver e crescer em um orfanato com outras crianças rejeitadas. Aos seus quinze anos de idade, finalmente o menino foi liberto daquela terrível prisão. Foi então adotado por uma senhora muito bondosa e supostamente carente. Mas será que algo mudou? Então lhe pergunto com um ar comiserado. “A despedida daqueles dotados de um pouco de sorte e acabou se tornando parte da rotina, sabe? No final, ficávamos felizes por perceber que aquele amigo se tornaria membro de uma família. Isso até eu completar meus quinze anos e Zahira colocar seus olhos sobre mim. A princípio foi algo instigante e motivador, mas acredito que não existia a necessidade de adotar um adolescente, quando havia inúmeros recém-nascidos hospedados naquele berçário. Serei sempre grato aos cuidados de Zahira, mas a meu ver, foi como se tivesse sido retirado de minha própria família.”. Taylor concluiu e, ao olhar em seus olhos, pude concluir que chamar aquele orfanato de lar e de família, foi apenas um meio de substituir a verdadeira falta que sentia (ou ainda sente) de seus ascendentes. Logo, ser adotado foi uma grande ofensa, lhe tirar do berço e do colo de seus familiares, as crianças abandonadas.

Doravante, mudando o foco da nossa conversa para manter o clima melhor (se possível), veio-me uma pergunta à Taylor, referente ao que sente, sendo um homem diferente dos outros em relação a magia. “Nada mudou, se quer mesmo saber. Dezoito anos sendo um aborto acaba lhe acostumando a conseguir seus trunfos com as próprias mãos. É claro que, a cobiça nasce da observação continua daquilo que não se tem...” Taylor pisa acidentalmente no meu salto... “Desculpe-me, querida. Como sou desastrado...”, realmente muito desastrado. Confesso que seria deveras estranho nascer sem mágica alguma, mas nos adaptamos ao meio em que vivemos, como dizia meu avô Darwin.

Vivemos em um mundo caótico e destinado a ter preconceitos sempre, com todos aqueles que se mostram diferentes dentre a grande maioria da sociedade bruxa. Pergunto então ao aborto Taylor se o mesmo já foi vitima desses atos boçais precipitados. “Venho sofrendo constantes ataques dos alunos... Aquelas pestinhas! No entanto, isso não me trás nenhum tipo de sentimento odioso ou coisa do gênero.”. O jovem rapaz mostra-se alegre e interessado no assunto, já que se trata de seu trabalho, uma conquista realizada sem nenhum auxílio de mágica. “Gosto de conseguir minhas conquistas sem o uso de uma varinha mágica.”, ele afirma totalmente confiante e orgulhoso de si mesmo.

A magia se faz presente em nosso cotidiano... Creio que menos no do Taylor. Abortos podem ter um espaço, sim, no mercado profissional entre grandes bruxos competentes. Então perguntei se o entrevistado conseguiu encontrar seu espaço. “Eu encontrei o meu, apesar de não ser meu foco atual.”, Tay responde com convicção e mais uma vez orgulhoso. “Sem dúvidas foi uma grande oportunidade dada pela atual diretora de Durmstrang Lana Shuisky e o trabalho dignifica o homem e o alimenta. Por agora, não preciso de caprichos.”. Durmstrang sempre veio mostrando-se, ser uma escola rígida em relação a origem sanguínea. Para um aborto ocupar esse cargo (zelador), em uma escola que trouxas e mestiços precisam esconder suas origens, há algo errado com a atual direção ou realmente barreiras estão sendo quebradas. Ao longo da vida, coisas acontecem conosco o tempo inteiro, mas conseguimos, com um estalar de dedos, resolvê-las. Para o Sr. Garbachevski estalar os dedos e resolver é e sempre será muito complexo. Ele é realmente feliz? Com lagrimas nos olhos, tentando esconder esse fenômeno de mim, responde com muito pesar. “Não. Eu não sou.”.

A vida é feita de escolhas, cabe a você escolher em qual lado ficar.



Por Perséfone Darwin,
Jornalista Lummu's

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14/01/2015 às 12:39:22

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