JORNAL LUMMUS

LIECHTENSTEIN, 31 DE JANEIRO DE 2014

A CAIXA DO BASILISCO
O misterioso Conclave Ofídico e sua ligação entre o passado e o presente

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Uma caixinha com segredos de mais de quinze anos é esquecida no balcão da Slug & Jiggers' Apotecário numa manhã qualquer de abril. Muito provavelmente, se tivesse sido encontrada por qualquer outro, acabaria nos achados e perdidos ou no lixo de alguém. Todavia, a sorte é amiga dos justos e, ainda que eu tenha sido muito imprópria a ponto de ser encaixada no ditado, foi em minhas mãos que o material parou. A primeira vista, aquele poderia ser o conteúdo perdido da típica garotinha inglesa: Um diário velho de capa amassada e retorcida, como se seu dono não tivesse sido muito gentil com ele; cartas e mais cartas, amontoados delas, sempre entrecortando remetentes e destinatários repetidos; pequenos objetos de valor como amuletos, medalhões, anéis, antigas pulseiras da amizade, muito populares no final dos anos 90 e fotografias. Tudo, sem tirar nem por, ligava as mesmas pessoas. Alunos da casa de Slytherin em Hogwarts e um nome que aparecia diversas vezes: O Conclave Ofídico.

O que no começo parecia apenas um grupinho de estudos cafona entre amigos da casa verde-esmeralda, se revelou ser algo extremamente mais complexo e atual. O hoje incrivelmente influente Duque William Bleick Rondown, o professor de Hogwarts e atual diretor da Sonserina Erick Maquiavel, o Inominável Rodric Holmes, o mundialmente famoso socialite Boyce Finnigham e o aristocrata Varric O'Braidcallagham. Nas fotos e nas cartas, algumas mulheres aparecem, dentre elas, Anne Marie D’Alterre, 39 anos, Diretora Acadêmica dentro do Hospital Theophrastus von Hohenheim. A imagem movendo-se no papel pouco ou nada se assemelhava à dama que encontrei naquele começo de tarde de abril, em sua casa no interior da Inglaterra. Lugarzinho tranquilo e relaxante, adverso ao clima de diversão extrema e hormônios em fúria capturados na antiga Hogwarts. Apesar da descontração na salinha dela, decidimos ir direto ao assunto e quando perguntei o que era o Conclave para ela e como ela aparecia em tantas imagens mesmo tendo pertencido à casa de Corvinal, um sorriso alvo surgiu nos lábios de rosa.

“Um de meus melhores amigos, Rodric, fazia parte do grupo” Começou, as mãos se entrelaçavam uma na outra enquanto falava. “Ele também veio a ser meu namorado, e por causa dessa proximidade, costumava me contar sobre o que acontecia no Conclave. Isto também fez com que eu me aproximasse dos outros garotos do grupo e foi assim que eu pude saber mais sobre aquela... fraternidade dos sonserinos”. A palavra fraternidade vacilou quando pronunciada, o que tornava a trama ainda mais curiosa. Infelizmente, isso era tudo o que a bela D’Alterre viria a dizer de útil, visto que, alegou jamais ter participado das reuniões dos colegas e o motivo não poderia ter sido mais claro: Falta de interesse, mas, também, “eles eram fechados demais para deixar que eu ou qualquer mulher ou homem que não fosse do grupo participasse”. Finalizou.

Num todo durante a conversa, muito deixou parecer que o grupo de amigos passou boa parte dos anos na escola de magia e bruxaria junto. “No quarto ano, era comum irmos para o Jardim de Hogwarts e ficarmos lá, sentados sobre a sombra de uma árvore, conversando. Não me refiro a mim e Rodric, mas sim a nós dois e o restante dos membros. Dos outros, costumava ser mais próxima do Boyce Finnigham, que receio ter ido para a Sonserina apenas por questões familiares, já que carregava consigo uma mente bastante corvina. Ele também era o mais afastado do grupo. Não o mais tímido, apenas sempre absorto em pensamentos, e é por esse motivo que acho existir poucos relatos sobre ele na época. Varric O'Braidcallagham também foi um bom amigo, mas não tenho mais notícias dele, já que nossa relação ia até o ponto em que os encontros ocorriam com todos os outros do grupo. Mesmo assim, sentia simpatia por ele”. O quadro que a medibruxa pintava batia tanto com as fotografias estudadas que me foi deveras difícil não imaginar a farra que teria sido Hogwarts nos tempos antigos. Ainda faltavam dois membros para a moça comentar, todavia, ambos pareciam compartilhar as mesmas características: Reservados, elitistas, exclusos, arrogantes. Assim saíram da boca de Anne Marie, Duque Rondown e Erick Maquiavel.

Deixei a casa da bruxa para a próxima entrevista com uma pontada de decepção. Aquilo tudo escondia tanta coisa e, ao mesmo tempo, coisa alguma parecia se encaixar. Meu segundo alvo foi Rodric Holmes, 39 anos. O local escolhido pelo inominável muito me espantou, afinal, não é todo dia que se marcam entrevistas no Três Vassouras. Após se reconhecer nas fotografias, o herdeiro dos Holmes beberica seu whisky de fogo e sorri das desventuras do passado, parecendo não acreditar estar revendo aquelas memórias novamente. Ao questionar a forma como o homem entrou no tal Conclave, Rodric foi muito incisivo. “Erick e William eram inseparáveis em Hogwarts. Todos sabem disso, mas eu me encaixei de forma mais sutil” explicou, fazendo a trama se desenrolar lentamente. “William e Erick me abordaram um dia, antes desse dia nossas poucas interações ocorriam durante as aulas. Eles levavam o ensino bastante a sério e eu nem tanto. Will, ou Duque William, se preferir, sempre possuiu talentos acima dos esperados para sua idade. Dons que bruxos menos felizardos matariam para obter e conhecimento mágico que assustaria o próprio Hadagast se ele já não o conhecesse, mas sim... Ele é o mesmo William que conheci em Hogwarts, apenas com mais poder e influência que antes”.

Antes que pudesse me dar qualquer outra informação preciosa, Rodric Holmes deixou o local com uma frase que levaria, certamente, ao próximo objetivo. “o Conclave era bem mais sério que apenas um grupo de amigos”. Fora mais fácil do que pareceu chegar à Hogwarts no dia seguinte e procurar o Diretor da casa verde-esmeralda. Erick Maquiavel de 35 anos era, de fato, um homem curioso. Sua sala luxuosa e escura não era tão acolhedora quanto os demais ambientes retratados anteriormente, todavia, se eu pensava que seria débil tal qual minha entrada no colégio, estava tremendamente enganada. Após muita, muita, muita, muita resistência mesmo para admitir o assunto ainda que mediante a tantas provas e depoimentos, a única coisa realmente aproveitável deixada no ar pelo Diretor da Sonserina foi “O conclave ofídico é uma organização estudantil que tem o intuito de ajudar os alunos da sonserina com suas carências e dificuldades acadêmicas”. Muito embora ele exista fora das paredes das masmorras, parece que todos os integrantes e ex-membros decidiram brincar de esconde-esconde.

A prova disso é o nosso fundador e mais ilustre participante do clube. Mesmo tentando contatá-lo diversas vezes através de seus representantes e assessores, o Duque William não fora encontrado. Fica então uma incógnita junto à caixinha misteriosa. O Conclave Ofídico realmente existiu apenas para finalidades estudantis? Ele é mantido no mundo mágico apenas para que os pais de sonserinos tenham a segurança de que seus filhos estão estudando? Eu acredito que não. O mistério é o melhor combustível para a curiosidade, de fato. Fiquemos assim então, no escuro, até que os olhos da serpente se abram novamente e o destino nos entregue mais provas.


Escrito por: Rachel D'Alterre Florenzza.

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12/02/2015 às 23:40:53

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