JORNAL LUMMUS

FRANÇA, 01 DE DEZEMBRO DE 2014

A IDADE DAS TREVAS RETORNA À FRANÇA
Beauxbatons sofre intervenção religiosa rigorosa desde o começo do ano letivo.

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As coisas andam agitadas em Beauxbatons, a Academia Francesa de Bruxaria. Depois de quase ruir e desaparecer, a misteriosa ilha parece receber visitantes incomuns e pouco desejáveis, todos carregando insígnias e signos remetentes à Igreja Católica. Ou Clero, como alguns historiadores gostam de classificar.

Monseigneur Marcel Léfèbvre é designado como superior, trazendo consigo várias freiras e frades que ficam encarregados de cuidar dos afazeres acadêmicos, perpetuar a ordem e disseminar a religiosidade que optaram para suas vidas, influenciando aulas em quase todos os momentos como bem querem. O ritual característico de início de ano foi quebrado, assim como todos os ambientes foram limpos e qualquer informação a respeito das deusas madrinhas da academia retirada. Como primeiro decreto, houve a proibição para a visitação do templo das três deusas, local onde reside o santuário das divindades.

Por toda a parte é possível ver a reação dos alunos para com a forma de intervenção escolhida pelo grupo. Nenhum dos discentes parece concordar com os métodos impostos, bem como com as rezas que precisam fazer a noite, ou a alimentação dada. A única coisa que permanece é, aparentemente, o uniforme. As três casas clássicas, Brigit, Morrigan e Mélusine foram alteradas e agora ostentam nome das santas cristãs Agatha, Anna e Clara.

Outro fator que demonstra a falta de apreço pelas mudanças com relação a isso são as declarações dos professores, coletadas individualmente. Maioria concorda que tal ato do conselho escolar de Beauxbatons é um tanto desrespeitoso para com a tradição existente há anos, exceto Victor Whight, que parece mais tranquilo que seus colegas de docência. Ele afirma que “[...] nenhuma justiça deve ser feita levianamente, ainda que haja alguma razão.” Certamente os mélusines não parecem tão aflitos com a mudança implantada esse ano.

Alexander Neveu, diretor da Morrigan, afirma que nenhum dos atos feitos pelos clérigos é, ao todo, benéfico, e que concordar com a dilaceração da cultura de Beauxbatons é o mesmo que negar sua existência, qualidade de ensino e tradição milenares. Neveu, ex-diretor de Hogwarts, também comenta a respeito de como a transição afeta os alunos de sua casa. "Todos se cansam mais, não possuem rendimento acadêmico a altura e, com isso, decaem drasticamente. Não consigo enxergar um modo efetivo de concertar as farpas deixadas por Léfèbvre a tempo dos exames finais." Certamente nenhum pai quer que seu filho sofra com as escolhas impensadas de um conselho mal estruturado.

E tal como ele, Nathaniel Callaghan, diretor da Brigit, concorda que essa intervenção afeta a escola negativamente, tanto alunos, como professores. "Esta intervenção tem afetado Beauxbatons em todos os âmbitos. Não só no aprisionamento de professores e alunos.", comentou o professor de Magizoologia. "Vemos os dons, talentos, a criatividade, a liberdade, tudo aquilo que define a escola, preso como que na cripta de uma catedral", completou, desgostoso com a situação imposta na ilha.

Heide Kirchsteiger mantém-se imparcial com a revolução cristã que acontece diante de seus olhos, aparentemente, mas pelo clima tenso, a qualquer momento uma bomba pode estourar e mandar pelos ares todo esse plano intervencionista. Enquanto isso, comemos hóstia e bebemos água.

Escrito por: Corin Archambalt.

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08/01/2015 às 08:36:00

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