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Cemitério de Godric's Hollow

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Re: Cemitério de Godric's Hollow

MensagemEstados Unidos [#210819] por Hsin Hassell » 18 Jan 2021, 18:12

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# die die we all pass away
but don't wear a frown cuz it's really okay
and you might try 'n' hide
and you might try 'n' pray
but we all end up the remains of the day #




Sangue. Havia sangue colorindo diversos pontos do porão em vermelho, o cheiro forte tornando quase impossível se respirar no ambiente abafado. Coisas estavam quebradas por todos os lados, fotos haviam sido rasgadas e o local inteiro deixava claro exatamente o que ali se passara: Uma luta. Uma luta brutal, onde alguém saíra perdendo.

Não seria difícil definir exatamente quem esse alguém seria, uma vez que ao centro de tudo jazia o violino. O precioso violino negro de Basilton Hargreeves, com o qual ele sonhara desde os seus cinco anos e ao qual se dedicara como um louco, agora quebrado em pedaços, incapaz de produzir uma única nota sequer.

O garoto já estava desaparecido por horas quando esse cenário macabro fora descoberto. Era quase como se seu perpetrador não se importasse se soubessem, um fato que acabou sendo confirmado quando encontraram Shepard Grimm sentado tranquilamente a sala, fumando um cigarro.

Houveram gritos. Houveram acusações. Houveram lágrimas. Shepard apenas sorrira e dissera ser uma pena pois Basilton havia sido “uma coisinha muito bonita” e “um brinquedo divertido.”

Nada fora capaz de arrancar do meio-irmão de Devin precisamente o que acontecera, ou onde Baz se encontrava, fosse vivo... Ou morto.

Shepard apenas continuara a sorrir, mesmo enquanto era levado para seu novo destino: A prisão. Um fim que não era o suficiente para consolar o inconsolável.

Devin entrara em surto. Era seu meio-irmão afinal. Fora ele quem deixara Baz em sua companhia, no começo de tudo. Ele deveria ter sabido. Deveria ter notado. Era tudo sua culpa. Seu melhor amigo se fora, e era tudo sua culpa.

Niall, seu namorado, fizera o possível para acalentá-lo, mas como poderia fazê-lo propriamente quando ele mesmo não conseguia aceitar aquela situação?

E quanto a família Hargreeves... Escuso será dizer que esta foi atirada ao maior e mais completo caos. Todos se culparam por não terem pressionado Baz a confessar o que estava acontecendo. Por terem notado os sinais tarde demais. Por não terem feito algo. Qualquer coisa que fosse.

O luto foi terrível. Foi intenso. Quase destruíra completamente todos os envolvidos. Mas pra eles, a vida precisava continuar, mesmo que não o fizesse para seu ente perdido.

O violino negro foi recolhido e restaurado, e enterrado no caixão vazio como representante daquele que havia sido seu dono. A lápide dizia “Baz Hargreeves” ao invés de seu nome inteiro, como ele teria preferido. A partitura da música composta por ele em seus últimos dias felizes em Durmstrang gravada na superfície fria.

Ninguém mais jamais voltaria a tocá-la.




Ave Atque Vale, Tyrannus Basilton Hallewell Hargreeves.
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Re: Cemitério de Godric's Hollow

MensagemRussia [#210925] por Ryan Volkov » 20 Jan 2021, 17:00

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"I need to run far away
Can't go back to that place
Like he told me
I'm just a big disgrace"

--------------------------------------------------------------------------------



Até que ponto aquilo era culpa minha? Eu me lembrava das últimas palavras que trocamos como se estivesse preso em uma espécie de realidade paralela onde aquele fosse o único som existente. "Algo pode me acontecer estando longe de você também". Algo havia acontecido e ele estava agora morto. Era difícil pensar que nossa última conversa havia sido uma briga. Havia sido o fim de tudo. De tudo o que tínhamos e de toda a minha possibilidade de vê-lo novamente. Um nó forte se formava em minha garganta e parecia querer me impedir de respirar. O engoli. Eu não queria terminar. Não de verdade. Mas eu não tinha o direito de pedir para que ele me esperasse, tinha? Quer dizer... Eu pretendia tentar consertar as coisas depois que finalmente tivesse matado Vlad. Depois que finalmente quem carregasse o sobrenome dos Volkov estivessem seguros. Depois que eu pudesse estar com ele de forma segura... Não encarava aquilo como definitivo. Mas... Alguém fizera aquilo virar definitivo por mim, não? Eu... Eu era um idiota. Eu era o pior tipo de idiota que caminhava pela face da terra.

As flores pareciam pesar mais que mil quilos enquanto dava os passos que me levariam até ele — ou ao lugar que o representava uma vez que o corpo não havia sido encontrado — e às vezes sentia vontade de jogá-las no chão e correr de volta para casa como um coelho assustado ao se separar com um leão. Até que ponto aquilo era culpa minha? Fechei os olhos e respirei fundo. Não havia tido coragem de aparecer no enterro. Não teria peito para encarar Gustav e Noah. Eles deviam estar me odiando agora, não é? Fazendo a si mesmos a mesma pergunta que eu estava fazendo de modo desesperado a mim mesmo com relação a minha culpa no cartório. E eu simplesmente não tinha o direito de me enfiar no meio da dor deles. Aquele era um assunto deles. Não meu. Não mais. Mas eu simplesmente não podia ignorar tudo aquilo. Continuei minhas passadas até o túmulo o qual o funcionário do local que me recepcionara dissera ser o dele, segurando aquelas malditas flores, aquelas malditas rosas vermelhas, durante todo o percurso.

Foi difícil ver o nome dele gravado naquela pedra. Tão difícil que tive de trincar os dentes em um aperto descomunal para não chorar ali mesmo. Estava sozinho, podia fazer isso, não podia? Chorar. Não. Eu estava com ele. Ele estava ali de alguma forma e aquilo deveria ser suficiente para conter meu desespero. Geralmente era. Ele e Nate eram tudo que eu tinha. Os meus calmantes. Os meus estabilizadores. — É... Eu sei. É clichê pra p*rra e não faz meu gênero em nada, pode falar. — Deixei um sorriso triste se estampar em meus lábios olhando da lápide para as flores na minha mão e depois para a lápide novamente imaginando exatamente o que Baz diria se me visse com um buquê de rosas na frente dele. — Mas achei que seria apropriado, sabe? E flores brancas são tão tristes... Vermelho é minha cor favorita e... Sempre me fez lembrar de você. — Me sentei na mármore fria do túmulo, depositando o buquê mais próximo a lápide. — Eu... Eu sei que não deveria nem estar aqui e talvez eu seja a última pessoa que você queira ver agora, mas... Eu lembrei que a gente tinha algo pendente. Eu não podia simplesmente ignorar isso, né? — Por quê? Por que eu fingia estar bem para um pedaço de pedra com medo de machucá-lo? Nem mesmo o corpo dele estava ali! Diabos, eu queria chorar! Eu queria desmoronar! Mas algo lá no fundo da minha alma me impedia de fazer isso... Algo me dizia que Baz não precisava me ver dessa forma, ainda que racionalmente eu soubesse que ele não estava me vendo p*rra nenhuma. — A gente tinha combinado que eu iria fazer uma serenata pra você, lembra? Naquele dia que você tava fazendo uma música pra mãe do Noah... Eu disse que ia e que você deveria fingir surpresa quando acontecesse. Eu vim pagar a minha promessa. Então, por favor, finja surpresa.

Levei os dedos até o nome gravado na pedra. Tracejado cada linha como se acariciasse seu rosto. Seu rosto suave que jamais iria ter a chance de tocar novamente. Mais um sorriso triste. — Você é f*da, viu? Por que odeia tanto seu nome todo? Já te disse mil vezes... É um nome forte. É um nome bonito. Deveria ter deixado colocado ele todo aqui. — Baz era cabeça dura, mas, ainda assim, era bacana que tivessem feito tudo exatamente como ele queria que houvesse sido feito. O Universo nos livrasse se ali estivesse aqueles dois primeiros nomes inteiros gravados. Aqueles nomes que ele tanto se irritava quando eram pronunciados em voz alta. Aqueles nomes que eu adorava pronunciar justamente por vê-lo estressado com aquilo. E como ele ficava absurdamente encantador quando se estressava. — Enfim... Eu estou meio enferrujado, mas... Vamos lá... Mordi o lábios inferior e me obriguei a tomar o fôlego necessário para começar a tal da serenata ao invés de me perder ainda mais em pensamentos que em outro momento seriam divertidos, mas agora não passavam de um bolo enorme de gatilhos depressivos.

— I walk alone… Think of home… Memories of long ago… No one knows I lost my soul long ago… — A música era mais como um pedido de desculpas do que como uma serenata. Cantá-la à capela em um cemitério a beira de um túmulo era extremamente doloroso. E extremamente necessário. — Lied too much… — A nota nessa parte era tão alta quanto a minha dor, de modo que a alcancei com perfeição. Eu sempre cantava melhor quando estava destruído. Naquele segundo, eu preferia mil vezes estar desafinando horrores a ter que lidar com a certeza de que não o veria nunca mais. De que ele não ouviria aquela canção enquanto eu a cantava. — She said that she's had enough… Am I too much? She said that she's had enough… — Mais uma vez dedilhei o nome na lápide. A dor finalmente me escapava pelos olhos. — Standing on my own… Remembering the one I left at home… Forget about the life I used to know… Forget about the one I left at home… — Aquela parte era o refrão e ela continuava ser bem mais agitada na música original, mas eu estava a interpretando de modo tão melancólico e lento que nem parecia mais a mesma música.

— I need to run far away… Can't go back to that place… — Naquela parte a minha voz embargo. A parte seguinte me fazia lembrar das palavras de Baz em nossa última conversa. Eu era um covarde. E não tinha exatamente um “ponto” para se firmar quanto a minha culpa naquele caso infeliz. A culpa era toda minha... — Like she told me I'm just a big disgrace... — Eu não conseguir cantar mais. Abracei meu próprio corpo e me encolhi em posição fetal, chorando como a criança que um dia havia sido. Que havia sido obrigado a deixar de ser. E que, agora, estava sendo lembrado mais uma vez de que não podia me dar ao luxo de ser feliz. Era como Alek havia me dito. Armas não tinham esse direito. E eu já estava cansado de perder pessoas. Cansado demais. Queria me perder de uma vez. Queria que aquela dor fosse levada para bem longe. Mas eu não podia terminar com aquilo eu mesmo. Não enquanto Vlad ainda estivesse vivo. Não enquanto Nate ainda tivesse a chance de tomar meu lugar naquele inferno de vida. Eu tinha de aguentar. Eu tinha de aguentar. Gritei com todas as forças de meu pulmão e foi como se algo houvesse deixado meu corpo naquele instante. Não, eu não iria perder mais ninguém. E Vlad iria pagar com a vida por aquela dor que tomava meu peito. Já era hora de acabar com aquela palhaçada toda. Não importava de quem era a culpa, quem tinha de pagar era ele. Ele! Não eu!


Interação: A lápide || Menção: Baz Hargreeves, Vladimir Volkov, Nathaniel Volkov e Aleksandra Volkova || Ouvindo: On my own – Three days Grace || Notas:Se passa dias depois do enterro do Baz porque ele se recusou a aparecer no dia mesmo.
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Re: Cemitério de Godric's Hollow

MensagemEstados Unidos [#211127] por Hsin Hassell » 26 Jan 2021, 14:29

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Niall Kelly - 14 anos - Melhor amigo de Baz Hargreeves




        Niall Kelly estava tendo os dias mais difíceis de toda a sua vida e não era pra menos. Desde que seu melhor amigo fora assassinado pelo meio irmão de seu namorado, ele estava constantemente a beira de um colapso mental. O único motivo porque tal colapso ainda não havia, de fato, acontecido, era que ele precisava ser forte para manter Devin são. Muito mais forte do que ele se sentia capaz de realmente o ser.

        Seu namorado se culpava. Se culpava intensamente por tudo que havia acontecido a Baz desde que ele se envolvera com Shepard e não era como se Niall não pudesse entender exatamente de onde tal sentimento vinha. Era verdade, afinal, que os dois só haviam se tornado “próximos” devido a ambas suas conexões com Devin. Era verdade que eles haviam ficado sozinhos juntos porque eles – e nesse ponto, Niall também se culpava – haviam deixado.

        Entender a motivação por trás do sentimento, entretanto, não o tornava “correto”, e o garoto estava constantemente tentando lembrar ao outro que ele não poderia ter feito absolutamente nada. Que não era sua culpa se seu meio irmão era um psicopata doente. Fora Shepard quem fizera tudo e ele era o único que deveria pagar por isso.

        Mas falar era sempre mais fácil do que fazer e aquele era um dia especialmente difícil. O último dia das férias, antes que mais um ano letivo começasse. Amanhã, seria a primeira vez que Niall e Devin se dirigiriam até a escola sem a companhia de Baz. O peso de tal realização estava ali, ameaçando esmagá-los sem piedade a qualquer momento e por isso ambos os rapazes haviam decidido ir até o cemitério para “despedir-se”.

        Era estúpido, é claro. Baz não estava realmente ali – diabos, nem seu corpo estava – mas ainda assim, eles haviam se dirigido até lá e agora contemplavam a lápide fria. Devin estava chorando e se desculpando profusamente mais uma vez e o nó na garganta de Niall era tão profundo que ele mal conseguia respirar.

        Era difícil tentar aliviar a dor alheia, quando a sua própria era tão absurdamente intensa. O que não queria dizer que ele não tentaria ainda assim, com tudo de si.

        — Baz não te culparia e ele não iria querer vê-lo se culpando. — Disse, pelo que deveria ser a centésima vez. — Não é sua culpa. Ele não está chateado com você.

        — Como ele poderia não estar chateado comigo? — Devin perguntou, miseravelmente e Niall fechou os olhos por um momento, respirando profundamente antes de abri-los para encarar o namorado mais uma vez.

        — Ele não está. Você conhece o Baz, ele... — Mas não pode continuar e as lágrimas que ele tanto tentara conter começaram a descer como uma torrente por suas bochechas. — Deus, eu não posso acreditar que ele realmente se foi.

        Parecia... Tão completamente surreal. Tão impossível. Niall precisava constantemente lembrar-se que aquilo não era apenas uma ausência temporária. Que ele não estava por aí, em algum lugar, esperando o momento de retornar triunfantemente.

        — Eu sei. Eu também não consigo acreditar. Eu- — O namorado começou, mas interrompeu-se quando o som de passos fez-se ouvir, e ambos se viraram para ver de quem se tratava.

        Entre todas as pessoas que Niall teria esperado encontrar naquele dia, naquele cemitério, visitando aquele túmulo, a que estava diante dele no momento seria a última da lista. Talvez, sequer estivesse nela.

        Um pequeno silêncio constrangedor tomou o lugar pelos próximos segundos, enquanto os três se encaravam. Finalmente, Niall foi o primeiro a rompê-lo.

        — Ryan. — Ele cumprimentou, de maneira educada e polida. — Nós não esperávamos ter companhia.

        Devin permaneceu calado. Niall se esforçou para continuar.

        — Nós viemos nos despedir. Você sabe, antes do letivo começar. Aparentemente, tivemos a mesma ideia. — Seu olhar recaiu então nas mãos do jovem russo e ele piscou. — E você trouxe flores. Isso é... Legal.
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Re: Cemitério de Godric's Hollow

MensagemInglaterra [#211345] por Anne Beatrice Mountbatten » 01 Fev 2021, 03:49

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Havia poucas coisas que Anne Beatrice podia dizer que detestava, mas com toda a certeza do mundo uma delas eram cemitérios. Não bastasse o clima deprimente que aquele tipo de local naturalmente carregava, ainda vivia com a sensação de que algo além a encarava e, a pior parte, sentia que algumas das suas mais terríveis lembranças eram resgatadas – como memórias da conturbada e traumatizante ocasião da morte da mãe de seus primos ou mesmo todo o período durante e após o acidente e falecimento do pai de seu amigo de infância, Kalet. Apesar desta aversão pessoal, curiosamente, nos últimos tempos tinha a impressão de que aquele fúnebre lugar era um dos que mais se via visitando durante as férias.

Daquela vez, diferente das anteriores, contudo, nem mesmo entrara. Encostara sua moto em um canto, tirara o capacete e ali permanecera, oculta sob uma árvore, encarando o ambiente a distância. Mesmo dali, todavia, ao fechar os olhos conseguia imaginar a lápide que por tanto tempo encarara; podia ver a cena dantesca que lhe fora detalhadamente repassada. A morte de um dos alunos de Durmstrang pela mão de outro também de seu instituto. Ergueu as pálpebras, sentindo os olhos mais uma vez arderem ante o sofrimento que mesmo ali, solitária, não arriscava revelar em sua face, sustentando a elegância e força que nos últimos anos tão bem vinha mantendo.

Uma máscara, a qual permanecera intacta frente a Cameron e Alphonse, quando pessoalmente os foi informar do ocorrido. Frente ao primeiro, mais velho e experiente que si, até se deu a liberdade de demonstrar algum ínfimo do que sentia, mas frente ao último... Friedrich era um homem de valor e confiável como poucos, mas era bom e novo demais para o tanto que vinha suportando. Fora impossível para si não se colocar como a figura mais velha na qual ele poderia se apoiar, tentar amenizar a dor e o peso que o caso daqueles romanov trazia; garantir que não era uma simples questão de falha, em especial por parte do alemão. Ele podia ser o diretor daquelas crianças quebradas, mas não havia sido ele o responsável por quebra-las.

Respirou fundo.

Queria crer que ninguém tinha culpa efetiva naquilo. Queria crer que, como insistentemente lhe diziam, era algo daquela geração, frágil e sensível em demasia. Queria crer que a resolução daquele problema que parecia ser uma constante estava além do controle de quem quer que fosse. Todavia, por mais que quisesse acreditar em qualquer uma daquelas opções e tentasse ao máximo transparecer que de fato acreditava, no fundo de si sabia que se alguém tinha culpa naquilo... Se alguém não fizera ou não vinha fazendo o suficiente... Bem, a marechal que comandava aquelas tropas, sabia muito bem quem era esse “alguém”.

– Bea.
– a voz a surpreendeu, fazendo-a girar os olhos e sair daquele canto escuro de seus pensamentos, encontrando uma face bastante familiar emoldurada por intensos cabelos ruivos.

– Mãe?
– disse, sentindo a surpresa tomar-lhe por um instante, enquanto a mais velha casualmente ajeitava a sombrinha aberta. Uma proteção extra para ambas, tinha certeza – O que a senhora faz aqui? – questionou, confusa.

– Conferindo o estado da minha filha mais velha,
– enunciou com um olhar firme – que desde criança lembro de deixar bem claro odiar este tipo de lugar, – a mão se ergueu, indicando o cemitério – mas aqui está pela sexta vez em menos de duas semanas. – sentenciou, fazendo a inglesa girar os olhos na direção da mais velha, estreitando-os – Não me venha com essa expressão ultrajada, Beatrice. Não é novidade que temos cada passo medido, ainda mais quando se trata de alguém que esteja exercendo um papel relevante para a família. – observou com um leve revirar de olhos ante aquela constatação óbvia.

– Papel relevante...
– Bea sorriu de canto – Relevantemente desastroso, talvez. – determinou com um humor ácido, fazendo a mais velha a encarar.

– Estão preocupados com você.
– observou e, ainda que nenhum nome fosse dito, a loira sabia muito bem a quem a mãe se referia. Talvez devesse sentir-se irritada ou minimamente chateada, mas a verdade é que por mais que não quisesse admitir, tudo o que havia quanto àquele tópico era indiferença.

– Talvez devessem considerar passar este “papel” para outra pessoa, neste caso.
– sentenciou com notas de sarcasmo, simulando a indignação que deveria sentir, mas não sentia – Alguém que cause menos preocupações e apresente menos chance de falhar tanto quanto, aparentemente, tenho. – acrescentou com um sorriso desafiador, vendo as íris verdes de sua mãe a encararem com gentileza, mas determinação, enquanto ela se aproximava e lhe tomava o rosto com a mão livre.

– Você não falhou.
– declarou a ruiva – Tampouco tem falhado. – e Bea tinha a sensação de que aqueles olhos firmes eram capazes de enxergar cada parte de si, cada aspecto oculto por trás da máscara – Apesar da distância, você carrega as características que seriam necessárias, Anne. Eles sabem disso. Ela sabe disso. Por esta razão foi dado a você esta missão. Não a Andy. Não a Ginny. Não a qualquer um de seus tios ou primos. A você. – determinou, tal como se quisesse enfiar aquilo dentro da mente da mais nova – Porém é sabido também o peso que existe nesta função, ainda mais quando... Crianças... – e meneou a cabeça, como se quisesse afastar aquilo de si – Não é simples lidar com pessoas, por isso a preocupação. – afirmou, fazendo a filha suspirar, permitindo-se demonstrar o cansaço real que sentia.

– Sempre achei que era uma péssima mentirosa, mas visto isso tudo que me disse começo a achar que na verdade é o exato oposto e que venho enganando todo mundo bem demais quanto a minha capacidade. Incluindo eu mesma.
– determinou com certo humor, ainda que o sorriso de canto não alcançasse seus olhos.

– Anne...
– viu as íris claras a encararem, sérias, fazendo a diretora suspirar.

– Estou bem.
– determinou, segurando a mão de sua mãe para afastá-la de seu rosto, fitando-a com tranquilidade – Desgastada, menos estável do que gostaria, mas bem... Ou o melhor que alguém pode ficar vendo jovens partindo para sempre, um após o outro. – sentenciou com um sorriso, apertando de leve a mais velha – Estou brincando. – garantiu, dando uma piscadela – Apenas precisava de um tempo e é por isso que tenho vindo aqui. É minha forma de lidar com isso: encarando de frente. – afirmou antes de soltá-la, empertigando a postura e passando a mãos pelos cabelos claros – Agradeço, todavia, que tenha vindo até aqui. Informe que está tudo sob controle. – garantiu com o máximo de segurança que podia.

– Você sabe que não vim aqui apenas como emissária, não é?
– questionou com um erguer de sobrancelha que fez a loira rir, assentindo.

– Eu sei, mumsy.
– determinou, colocando atrás da orelha da mais velha uma das mechas rubras – O problema é que terei uma reunião mais a noite e creio que seria adequado preparar-me, descansar ad- – parou, ponderando por um instante – Quer saber. – sorriu, divertida, puxando um capacete extra da garupa e estendendo-o – Às vezes o melhor descanso é a distração. Dar uma volta, colocar conversas em dia, etc. – disse com uma piscadela, arrancando um sorriso entretido da mãe que, sem nem pensar duas vezes, fechou a sombrinha e aceitou o capacete, colocando-o e ajeitando-se em questão de instante às costas da primogênita, tal como se realizasse aquele movimento há anos.

– Isso me traz ótimas memórias de desastre.
– comentou a ruiva, entretida, o que fez a loira erguer uma sobrancelha, enquanto terminava de prender o próprio capacete.

– O que a senhora duquesa andou aprontando com motocicletas por aí?
– questionou, curiosa, recebendo como resposta um sorriso cheio de malícia inteligente que indicava que a história era longa demais para aquele momento. Bea meneou a cabeça, entretida, prometendo a si mesma que tiraria aquela história a limpo depois. As íris verdes giraram, lançando um último olhar ao cemitério. Fechou os olhos uma última vez, fez uma breve prece silenciosa e, sem mais, deu a partida no veículo, mergulhando no ronco do motor, na sensação da velocidade e nas mãos familiares contra sua cintura, a fim de, pelo menos por alguns minutos, deixar para trás toda a carga que, mais cedo ou mais tarde, voltaria a ter de carregar.


Interaction: Sarah Margaret Ferguson (NPC).
Off: Ruim, mas para constar.

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Anne Beatrice Mountbatten
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Re: Cemitério de Godric's Hollow

MensagemAlemanha [#211474] por Alphonse Derek Friedrich » 06 Fev 2021, 12:56

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God, keep my head above water, don’t let me drown. It gets harder.
I’ll meet you there at the altar As I fall down to my knees.


:::::::::::::::::::::::::::::


Morte era comum na vida de qualquer ser humano, era isso que significava ser mortal. Contudo, era difícil aceitá-la seja quando ocorria após uma longa vida, mas principalmente quando acontecia de modo brusco. Alphonse, seja de um modo ou de outro, nunca lidou bem com o tema, pelo menos não depois de quase perder a irmã mais nova uma vez, ainda tinha aquela imagem fresca em sua memória, seu desespero ao ver o sangue enquanto a irmã aos poucos empalidecia. Ele tinha nove anos e desde então ficou marcado com aquela morte e antes disso a mãe, apesar de que com ela, o homem nem sabia o que havia acontecido exatamente. Então ele viu Ayesha entrar em depressão por causa das mortes dos Burikovs, ver aquilo havia destruído ainda mais o alemão, pois ficou a ponto de perdê-la de algum modo novamente, na verdade tinha certeza que havia perdido por um tempo.

Então veio a primeira morte depois de longos anos, ele havia se tornado professor, mas muito antes diretor da Romanov e se apegou a todos os alunos daquela dinastia por serem “os vermelhinhos” de sua irmã e então se tornaram os dele. Perder Anne Schmidt, monitora chefe foi um grande baque e que abriu ainda mais os olhos do Friedrich para os problemas de saúde mental que assolava seus alunos e de certo modo para sua própria. Contudo, quando Anne Betrice, diretora de Durmstrang, sua chefe, amiga e prima, algo que apenas ele e sua irmã sabiam, além da própria inglesa, lhe contou sobre o assassinato que um de seus alunos cometeu contra outro estudante? Alphonse sentiu toda a felicidade que vinha sentindo desde o Natal do ano anterior, com seu entendimento com Jinhwan e o relacionamento entre eles que se iniciou, o nascimento de sua sobrinha Katja, ser sugada por um buraco negro que ele sempre soube que existia dentro de si à anos e que aos poucos, durante os anos, foi crescendo.

Por isso, mesmo que tenha marcado de se encontrar com Hyong no apartamento que ele dividia com Viktoria, tendo feito todo um planejamento para passarem o dia de folga do mais velho juntos, mesmo tendo ido até lá, era notável que Alphonse não estava presente de algum modo, tanto que demorou um tempo para que o alemão notasse que o coreano o chamava e apenas o fez quando este tocou seu ombro, fazendo-o encará-lo. — Desculpe, eu não estou muito bem desde que conversei com Beatrice. — responde de modo sincero, respirando fundo ao encarar os olhos escuros do outro, forçando um sorriso cansado diante da fala dele. — Não há problema de contar, confio em você… E de certo modo, logo você saberia pelos jornais. — comenta, se distraindo por um momento ao segurar uma das mãos do medibruxo de modo afável. — Um aluno da romanov foi preso por assassinar outro aluno… O corpo do rapaz não foi encontrado, mas pelo que foi me dito... — o homem pausa por um momento. — Encontraram o assassino no local e ele admitiu ter o feito, o enterro do rapaz já ocorreu… Um caixão vazio. — diz e dava para notar o esforço do alemão em não chorar, ainda mais por ele não conseguir olhar para o namorado. — Eu não consegui ir, mas… Acho que devo ir até lá em algum momento… Eu não sei eu só… Já perdemos a jovem Schmidt por suícidio… E agora… Eu não sei o que fazer… e o que estou fazendo de errado…

O moreno sentiu a mão de Jin em seu rosto de modo suave apesar da forma firme como havia erguido seu rosto para que o encarasse. As palavras atingiram fundo a mente do alemão, assim como aquele buraco negro que se abria em seu peito. De certo modo o ex-lufano sabia que era verdade, sabia que não podia controlar tudo, não tinha o dom da adivinhação para saber tudo que iria acontecer. Mesmo assim, Alphonse não conseguia eliminar aquela pontada dolorosa de culpa, de que se tivesse se esforçado mais teria evitado tudo aquilo, se tivesse sido mais atento. Contudo, ele entendia as palavras do mais velho até certo ponto que sua dor permitia. Ele sentiu a ardência em seus olhos aumentar com ele de certo modo tentando desviar o olhar, mas ao encarar a expressão firme do homem à sua frente pelo qual havia se apaixonado, não conseguiu e acabou por deixar as lágrimas escorrerem em silêncio e quando não conseguiu mais se manter firme, abraçou o mais velho de modo firme, aceitando aquele apoio, aquela força do coreano, já que ele se sentia sem nenhuma.

(...)


A decisão de ir ao cemitério veio alguns dias depois da conversa que o alemão havia tido com o namorado, assim como o pedido para que este o acompanhasse, pois apesar de saber que teria que ir até lá, Alphonse não se sentia nada preparado para enfrentar aquela situação, contudo, o moreno sabia que era um passo que precisava dar, talvez pudesse esperar, mas se não fizesse naquele momento, ele jamais iria, ele se conhecia o suficiente que evitaria como fizera com o falecimento da antiga monitora chefe da Romanov e tinha conhecimento de que seu encontro com uma garrafa de bebida era mais fácil de ocorrer. O ex-lufano queria evitar isso e o faria, por ele mesmo, por sua irmã e agora por Jin. Não queria decepcionar o coreano de modo algum, nem preocupá-lo ou a irmã que ainda estava se acostumando com a vida de mãe e medibruxa, ambos tinham muito com que lidar, não precisavam que ele fosse mais um problema que teriam que resolver.

O moreno sentiu um calafrio assim que passaram pelos portões enferrujados do cemitério, ele se sentia uma criança amedrontada ao dar aqueles passos em direção a lápide de Hargreeves. Não era como se ele tivesse pavor de locais como aqueles, não quando em Durmstrang muitas vezes se viu caminhando próximo ao cemitério que havia na escola. Mas ali parecia diferente, era como se ao adentrar aquele local e seguir para onde foi informado estava o descanso final do seu aluno, ou pelo menos o que deveria ser, desse toda a realidade daquela situação que havia ocorrido. E quando Alphonse se viu de frente a pedra fria com o nome do rapaz sentiu como se fosse tomado por um frio intenso em seu âmago, uma dor que parecia pior que lâmina transpassando sua carne, pois não tinha uma forma física de cuidar dela. Ele reconheceu uma partitura gravada abaixo do nome do romanov, se lembrando que já tinha visto o garoto com uma case familiar pelo Salão Comunal. — Ele tocava violino. — comentou com a voz baixa e um tanto arrastada, tensa e embargada. — É triste saber que nunca tive tempo de tocar uma melodia com ele, o rapaz tinha talento, apesar de ter o ouvido poucas vezes na Romanov.

Friedrich se agachou de frente a lápide erguendo a varinha e a movendo deixando algumas flores sobre o túmulo, seus olhos esverdeados lendo a partitura com o coração pesado. Apesar das palavras do namorado quando contou o que havia ocorrido, Alphonse ainda sentia em alguma parte de si que poderia ter feito algo, notado algo, do mesmo modo que pensou quando Allan havia contado sobre a morte da irmã. A culpa estava ali, de não ter notado de algum modo, será que tanto o assassino quanto a vítima lhe deram sinais e ele não percebeu? Era isso que martelava em sua mente sempre que se via sozinho. O docente sentiu a mão do coreano em seu ombro e aquilo o fez notar que chorava e assim que notou isso, o moreno passou a mão livre no rosto secando-as e se ergueu, logo fazendo questão de segurar a mão de Jin. — Quando soube sobre a antiga monitora chefe eu não aguentei lidar e fiz uma coisa que nunca achei que faria, me afoguei na bebida. Não dava aula ébrio, seria demais, mas, mesmo assim, quando estava sozinho e sem aulas para dar me trancava em meus aposentos em Durmstrang e bebia até que minha resistência se transformasse em nada e isso piorou quando… Quando descobri que o fantasma da jovem estava pela escola, numa noite ela se apresentou a mim dando informes sobre os alunos, ela nem ao menos sabia que estava... — diz para o moreno ao seu lado, respirando fundo por um momento ao não conseguir falar aquela palavra.

— A diretora notou que algo estava errado, era óbvio, ela não me deu ultimatos nem nada do tipo, mas fez olhar para o quanto eu estava acabado e destruído. Foi então que decidi me erguer de algum modo. Não vou mentir, eu não estou bem ainda, sei que melhorei e isso devo agradecer também a você, porém, com isso, com mais essa morte… Eu notei que quase caí de novo… A tentação de beber e me perder para não sentir é bem grande. Contudo, não quero isso, não quero decepcionar você ou minha irmã, não quero… Eu realmente não quero ser um estorvo. — diz apertando de leve a mão que havia segurado. — Eu… decidi que vou a um médico… Um psicólogo… Só não sei se isso vai ser de alguma ajuda.

A resposta do Hyong fez com que o moreno o encarasse, era como tirar um peso dos ombros, como se estivesse prendendo a respiração desde que entraram naquele local. Com um suspiro, Alphonse puxou o coreano para perto de si e beijando de leve a mão que segurava ao ergue-la até os lábios. — Eu te amo, JinHwan. — diz levemente e em tom baixo. — Obrigado. — falou o rapaz, não apenas pela presença dele ali, mas por o aceitar, por o apoiar. Por ser sua força quando ele pensava que não conseguiria se erguer. Mas ele precisava, pensou, tinha que se levantar e tentar ajudar "seus vermelhinhos" para que nunca mais houvesse outro caso como aquele ou qualquer outro.


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Re: Cemitério de Godric's Hollow

MensagemRussia [#212151] por Kathryn Volkova » 02 Mar 2021, 07:35

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Death is the dropping of the flower that the fruit may swell
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                Você havia acabado de chegar na casa de Dmitri, na Itália, acompanhada da amiga Kida, que passaria o restante das férias lhe fazendo companhia e explorando um pouco do país europeu. Ao passar pelo quarto do irmão mais velho, para cumprimentá-lo, ouviu-o conversando no telefone com alguém, e não era do seu feitio bisbilhotar, no entanto, o mencionar das palavras “morte” e “Romanov” atiçaram sua curiosidade, fazendo-a ficar perto da porta, ouvindo pela fresta, o desenrolar da conversa que aparentemente era com Alek. Seu longo cabelo, ainda arrastando no chão, tornou-se verde ao ouvir o nome Basilton Hargreeves. Não era aquele o nome do amigo de Ryan e Nathaniel? Que havia lhe feito companhia na torcida do Survivor, durante as férias anteriores enquanto seus irmãos estavam na competição.

Kida se aproximou e você fez sinal de silêncio, para que pudesse ouvir a tudo que era dito, afinal, a voz de Alex no espelho era muito baixa. Aparentemente um de seus irmãos ou ambos não iriam ao enterro e uma ideia inusitada surgiu em sua mente: Você iria no lugar deles. Aquele não foi exatamente um gesto pensado ou sentido, mas assim que Dmitri se levantou, você entrou no quarto e disse que desejava ir à solenidade. De pronto, Kidagakash ofereceu-se para cuidar de você, afinal, a menina em breve faria quinze anos, e também estava no mesmo ano de seus irmãos. Talvez seu irmão tenha estranhado a decisão, mas permitiu que fosse e inclusive providenciou suas vestes.

No cemitério de Godric’s Hollow o ar parecia diferente, uma névoa parecia se estender pelas lápides. Pessoas choravam em sinal de dor, o luto, ainda complexo para que você entendesse com clareza. Diferente dos outros e talvez mais como Kida, você estava inexpressiva, como o usual. O vestido preto deixava claro que havia crescido bons centímetros ao longo do ano, talvez esticado um pouco mais durante o mês de exercícios na Noruega, que também começava a moldar seu corpo, não mais magricela, mas estava ficando mais definida, ganhando músculos, poucos, mas já um pouco visíveis. Sua aparência de menina estava começando a sumir, dando lugar a uma mulher. O cabelo loiro claro, recém cortado - mesmo sabendo que cresceria durante a noite -, me fez lembrar de Aleksandra como mais nova. Vocês se parecem tanto…

Ainda observando as pessoas, algumas até conhecidas, da escola, resolveu cutucar a amiga e fazer um questionamento. — O que é o luto? — Suas perguntas sempre tão complexas tiraram as palavras da Egípcia por um tempo, que pensou, até chegar à conclusão que era uma espécie de saudade - sentimento outrora explicado por Alex -, mas por alguém que não pode mais voltar. Um misto de saudade com honra às memórias do falecido. — Ouvi algumas pessoas dizendo que não encontraram o corpo. — Emendou na explicação, em tom de voz baixo para que não atrapalhasse ninguém.

Uma mecha verde surgiu em seu cabelo, o que chamou a atenção de algumas pessoas ao redor. Se não havia um corpo, o que estavam enterrando? Se perguntou, mas Kida tornou a se pronunciar, completando essa informação. — Tenho certeza que ouvi uma moça comentar… — Pausou por alguns segundos, após receber um olhar feio, mas completou rapidamente. — Que o violino está no caixão. — Disse a amiga. Mais perguntas surgiram em sua mente. Como ele havia morrido? Teria sido de forma rápida e misericordiosa? Talvez pudesse ser um assassinato, mas quem seria o assassino? Estas questões permaneceram em sua mente, Kida saberia tanto quanto você, mas alguns pontos talvez fossem sanados no retorno à Durmstrang.

Não era o seu primeiro enterro, você estivera em outro antes, cercada pela nossa família, mas era tão nova, talvez nem se lembrasse de tudo. Algumas pessoas então tiveram a permissão de jogar uma flor sobre o caixão antes do mesmo ser enterrado de fato. Você não entendia o motivo de fazerem aquilo, mas notou que algumas pessoas falavam com a caixa de madeira vazia, como se o espírito de Baz estivesse lá dentro. Num instante, Kida a cutucou, oferecendo uma rosa branca, num gesto de incentivo que você aceitou, tomando a flor entre seus dedos delicados, e se aproximou no buraco no chão, onde jazia o caixão. — Espero que você descanse. — Disse, sem realmente saber de onde aquelas palavras vieram.

No momento em que jogou a rosa, seus cabelos tornaram-se azuis, como se várias vidas em você estivesse ajudando a entender a magnitude daquele momento, mesmo que não fosse tão próxima do falecido, apenas uma mera conhecida de dinastia. Mas no fundo, alguma coisa nos cantos de sua mente estavam se movimentando novamente, como no duelo com Ryan. Você deveria entender o significado do luto, da dor e da perda, porque seriam constantes na sua vida.
﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌
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Re: Cemitério de Godric's Hollow

MensagemEstados Unidos [#212810] por Hsin Hassell » 28 Mar 2021, 15:52

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        Era a véspera de Natal. Tempo de amor e alegria, de confraternizações e presentes. Tempo de reunir toda a família, celebrar e agradecer. Uma época tão especial para muitos e tão terrivelmente dolorosa para outros, cuja noite estaria incompleta. Cujos lares estariam desfalcados de alguma presença importante, pela primeira vez. Nessa noite, enquanto muitos passariam comemorando, outros se encontrariam vivenciando seu luto novamente.

        Hsin Hassell felizmente não era uma dessas pessoas e possuía uma casa onde estar com família a lhe esperar. De fato, ele deveria estar nela agora mesmo, ajudando sua mãe a assar biscoitos, seu pai a embrulhar os presentes e sua irmã a se arrumar. Ele deveria estar convencendo Kassian a participar da ceia e quem sabe Owen a juntar-se a eles. Mas ao invés disso, ele estava ali, sozinho.

        A neve caia em flocos finos ao redor, cobrindo a maioria dos túmulos com uma camada branca, contribuindo para um cenário que era tanto belo quanto triste, fazendo-o pensar se todas aquelas pessoas estariam realmente “descansando em paz”. Ele duvidava de que Baz Hargreeves estivesse.

        Isso era o porquê ele estava lá. Porque ele não conseguia parar de pensar naquelas pessoas. Naquela família. Ele não conseguia parar de pensar que eles deveriam estar comemorando a data festiva ao som do violino e não estavam. E nunca mais estariam. Porque ele não conseguia esquecer os olhares que recebera de Gustav e Jinx, de Barbie e Simon, antes que todos partissem para passar os feriados em suas respectivas casas.

        Baz deveria estar lá. Eles pensavam que ele deveria estar lá. Ele não poderia, mas poderia estar aqui. Olhando para a lápide diante de si, onde a partitura estava gravada – a música que o rapaz compusera para seu pai –, marcando o tumulo onde o violino estava enterrado – o violino negro que ele almejara desde seus cinco anos e pelo qual treinara tanto nos seguintes –, encarando as letras que compunham o apelido pelo qual ele era chamado – porque ele detestava seu nome inteiro.

        De algum jeito, Hsin havia descoberto todas essas coisas. Todos esses pequenos detalhes. Ele os havia repetido para si mesmo incansavelmente. Agora, era como se Baz fosse um velho conhecido e ele não se surpreendeu ao descobrir que lágrimas silenciosas deixavam seu rosto enquanto pensava sobre ele.

        Simplesmente... Não era justo.

        — Eu sinto muito. — Ele disse e era quase estranho ouvir sua própria voz quebrando aquele silêncio sepulcral.

        Ele não sabia o que mais poderia dizer – não havia mais nada a dizer – e estava se preparando para dar as costas e ir embora, quando notou pela primeira vez o buque. Rosas vermelhas. Elas contrastavam tão impressionantemente com a neve, que era estranho que ele não houvesse reparado nelas antes. Elas eram lindas e ainda estavam frescas, obviamente tendo sido colocadas ali recentemente.

        Por quem? Ele não sabia, mas por alguma razão desconhecida, isso o fez sorrir.

        — Rosas vermelhas. Elas significam amor. Do tipo mais profundo que se possa ter por alguém. — Informou, como se de alguma forma Baz fosse ser capaz de ouvi-lo. — Quem quer que as tenha posto aí, certamente queria lhe impressionar.

        E isso não era um pensamento reconfortante? Mesmo depois de partir, Baz Hargreeves ainda tinha tantas pessoas que se importavam com ele. Tantas pessoas que o amavam. Tantas pessoas que jamais o esqueceriam...

        ... Mesmo quando ele próprio havia se esquecido.
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Hsin Hassell
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Re: Cemitério de Godric's Hollow

MensagemEstados Unidos [#215723] por Hsin Hassell » 11 Jul 2021, 20:29

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        A ideia de voltar aquele cemitério causava um sentimento estranho. Sim, ele havia estado lá não há tanto tempo assim, mas aquilo havia sido diferente. Quando fora a Godric’s Hollow no natal, ele havia sido inteiramente outra pessoa. Ele havia sido Hsin Hassell, e encarara o túmulo diante de si como a última morada de um estranho. Agora, ele sabia a verdade. Ele se sabia quem era. Sabia que aquele túmulo era suposto a ser o dele próprio. Sabia que o nome gravado na lápide lhe pertencia. Sabia tudo que sua família e amigos haviam passado quando ele simplesmente desparecera sem deixar rastros, além de um monte de sangue e um violino quebrado.

        Se ele pudesse evitar, tentava não se lembrar daquela noite. Tentava não se lembrar de todas as coisas que Shepard Grimm lhe fizera. Tentava, mas ainda assim não podia fugir das lembranças teimosas, que vinham assolá-lo quando ele menos esperava. Se ele fechasse seus olhos naquele exato momento, ainda poderia ver com bastante clareza. Ainda poderia sentir como se ele ainda estivesse lá, vivendo aquele momento.

        Os gritos. A dor. O cheiro de seu próprio sangue. O exato instante em que ele perdera a consciência, com o barulho de seu instrumento amado se partindo em diversos pedaços.

        Ele estava feliz que sua família houvesse achado o que restara dele, no entanto. Ele estava feliz que eles houvessem conseguido repará-lo, de algum modo. Ele não estava, todavia, igualmente feliz por eles o haverem enterrado.

        Ele podia entender o sentimento, é claro. O simbolismo por trás daquele gesto. Podia entender que essa fora a melhor maneira que eles haviam encontrado de se despedirem. De homenagear sua memória.

        Mas agora ele teria um enorme trabalho tentando recuperá-lo.

        E ele precisava recuperá-lo. Já havia adiado aquilo por tempo demais. Era chegada a hora. A hora de dar aquele importante passo em sua própria despedida. Sua despedida de Hsin Hassell. O retorno de Basilton Hargreeves a vida.

        Porque ele estava vivo e ele queria voltar pra casa.



        (...)




        Era tarde da noite, o cemitério estava completamente deserto e lá estava ele, pronto pra vandalizar seu próprio túmulo. Ainda que não houvesse realmente um corpo repousando sob todo aquele mármore, ainda parecia errado, de alguma forma. Pareceu ainda mais quando ele notou as rosas.

        Rosas vermelhas. Como aquelas que ele havia visto no Natal. Elas se destacavam como manchas de sangue contra a pedra branca e claramente haviam sido depositadas ali recentemente. Meses haviam se passado entre dezembro e agora, mas parecia que alguém não quisera deixar o local vazio.

        Ele se lembrava do que havia pensado naquela ocasião, quando se deparara com elas pela primeira vez. Quando ele ainda achava ser Hsin e estivera quase obcecado em desvendar quem Baz Hargreeves havia sido. Ele se lembrava de pensar sobre o significado daquelas flores em particular: Amor verdadeiro. Do mais profundo tipo. De pensar que quem quer que as tivesse posto ali queria causar uma grande impressão.

        Naquele momento, ele havia se esquecido de quem era, mas ele jamais fora esquecido. Não por sua família. Não por seus amigos. Aparentemente, não pelo responsável por aquele pequeno, mas tão significativo gesto.

        Mas quem poderia ser? Quem, afora seus familiares, se daria aquele trabalho? Por ele? Mesmo quando ele estava supostamente morto, mesmo quando pensaram que ele jamais saberia.

        Ele fechou seus olhos, engolindo em seco e tentando manter suas emoções a baia. Ele havia ido até lá com um objetivo e estava se distraindo dele. O mistério das flores poderia esperar. Poderia esperar até que ele estivesse com seu violino de novo em suas mãos. Respirando fundo, ele abriu seus olhos novamente.

        Seria muito mais fácil se ele pudesse simplesmente realizar um feitiço. Um Bombarda teria provavelmente bastado. Mas ele não podia, de modo que teria que recorrer a métodos menos elegantes. Ele apertou a marreta firmemente em suas mãos. Ela parecia pesar cem quilos. Ele ergueu-a acima da própria cabeça e desferiu o primeiro golpe com toda a sua força contra o mármore.

        Não era, é claro, uma marreta normal. Se fosse, ele jamais teria conseguido romper a pedra lisa. Mas porque ela havia sido encantada, uma fissura logo apareceu. E depois outra e mais outra e logo ele estava absurdamente suado e coberto de fuligem. Ele não sabia quanto tempo havia se passado, mas logo ele tinha um vão grande o suficiente diante de si. Agora, só precisava se livrar de toda aquela areia.

        Outra ferramenta magica foi o suficiente para ajudá-lo também nessa etapa e algum tempo depois o caixão estava a sua vista. Romper a tampa foi a parte mais fácil e então lá estava ele. Seu violino. Seu precioso violino negro, preservado em sua integridade indubitavelmente também por alguma magia.

        Com as mãos trêmulas, ele o agarrou e o segurou junto ao peito, o abraçando como se estivesse lhe dando as boas-vindas de volta a casa. De volta a onde ele pertencia. Então, ele subiu novamente, pra dar de cara com uma figura translucida o observando curiosamente.

        — Eu juro que não estou roubando. — Ele informou ao fantasma, que em retorno lhe ofereceu um dar de ombros.

        — Não é o meu túmulo, eu não ligo, mas alguém terá que arrumar essa bagunça. — Uma pausa. Então: — Não esqueça das flores.

        Baz desviou seu olhar novamente para as rosas. As rosas que ele repousara cuidadosamente fora de alcance, antes de iniciar sua destruição. Ele olhou delas pro fantasma e de volta, antes de decidir se arriscar.

        — Você vive aqui há muito tempo? Sabe quem as trouxe?

        O fantasma abriu um ligeiro sorriso.

        — Pessoas vieram e se foram desse túmulo em particular, mas poucas tão dedicadas quanto esse jovem. Ele sempre as vem trazer pessoalmente quando pode e quando não pode, manda uma coruja para trazer novas e recolher as velhas. Nunca o deixa vazio por muito tempo.

        Em seu íntimo, parte de si já sabia a resposta. Talvez a houvesse sabido desde o primeiro momento. Mas ainda assim, enquanto seu coração começava a acelerar diversas batidas, ele precisou ter a certeza.

        — Como ele é?

        — Russo, eu acho? Mas com os olhos ligeiramente rasgados. Cabelos escuros e cumpridos. Olhos iguais. Às vezes, ele chorava. Às vezes, cantava. Às vezes estava machucado, tentando impedir o sangue de manchar a pedra. Mas sempre voltava.

        Baz assentiu, surpreso ao mesmo tempo em que não estava realmente. As palavras de Adam Woods quando se encontraram naquela festa voltando a reverberar – não pela primeira vez – insistentemente em sua mente. As palavras em que ele não acreditara. As palavras em que ele não quisera acreditar.

        Rosas. Rosas vermelhas.

        Amor verdadeiro.

        Nunca esquecido, sempre lembrado.

        Ele agradeceu ao fantasma e deu as costas ao que restava do túmulo. Deu as costas as lembranças. Deu as costas a tudo aquilo.

        Mas quando ele deixou o cemitério pra trás, ele levou as flores com ele.



Arco diferente daquele descrito no post acima.
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