JORNAL LUMMUS

BEAUXBATONS, Janeiro de 2022

Ascenção das deusas
A queda dos Noir e as manifestações das deusas

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A queda dos Noir, um grupo aparentemente separatista de ‘hereges’ e pessoas não compactuantes com a lei das Deusas, parece ter servido de estopim para uma segunda revolução Religiosa de Beauxbatons, trazendo à tona memórias de uma Inquisição presente em nosso passado recente. A diferença é que, dessa vez, os perseguidos se tornaram os perseguidores. A recente presença de alunos de variadas crenças e nacionalidades mais exóticas do que originalmente presentes na instituição francesa, juntamente com a queda do grupo pseudo terrorista parece ter incitado uma série de revelações e acontecimentos teoricamente sobrenaturais, atribuídos à presença das Deidades – até então adormecidas - que comandam a Ilha.

Deste modo, como em comemoração do retorno das ‘Deusas’ e queda da facção terrorista denominada de ‘Filhos da Noite’ – já que obviamente não queremos ser racistas – uma série de festas rodou por toda a ilha Francesa, fazendo questão de agraciar a ilustre presença de suas regentes. Infelizmente, no entanto, o ano não foi composto apenas de felicidade e não podemos deixar que a alegria descomunal presente nas festas nos cegue e tire do foco o que realmente aconteceu. A verdade, meus caros leitores, é que a ilha que tanto lutava contra ditaduras religiosas talvez seja uma.

Embora as entidades estejam em sua razão de lutar para preservar seu patrimônio, algumas medidas tomadas tanto em nome de Morrigan quanto Mélusine poderiam de muito bom grado ser vistas com maus olhos e disso falamos da presença de um Banshee durante plena luz do dia e na tentativa séria – e razoavelmente grave – de afogamento de uma morrigana pelas mãos das sereias que zelam pelos cuidados da Caverna de Mélusine. Fora estas tentativas pouco populares e desesperadas por qualquer tipo de atenção, o começo do ano trouxe novidades para alunos não simpatizantes com a crença da ilha.

Gosto de pensar que as ‘Deusas’ tomaram essa decisão de maneira a se protegerem contra os alunos intercambistas vindos da instituição inglesa, assim como adoraria pensar que as ‘falhas’ e punições aplicadas tivessem o mesmo âmbito, mas a verdade é que não foi isso que observamos. O que vimos foi Beauxbatons fechar seus templos para qualquer um que ela acreditava não ser um credor de seus ensinamentos e se vingar furiosamente de simples crianças que pareciam passar um pouco de seus limites ortodoxos e deveras engessados em um passado de glória. O que é estranho é que não se voltaram contra os estrangeiros, mas contra seus próprios alunos.

Os intercambistas pareceram não sofrer muito com a ira das Deusas, salvo um jovem Lufano presente no momento da infeliz aparição do Banshee, mas de modo geral a ilha pareceu receptiva, razoavelmente feliz em ter seus terrenos repletos de alunos e mentes cruas o suficiente e repletas de respeito para absorverem todos os seus ensinamentos. Os alunos também pareceram gostar, na maior parte do tempo, da mudança de ares e da possibilidade de formar novas amizades com os Ingleses além-do-canal. Apesar de uma notícia feliz, isso também confirma algumas suspeitas quanto às ações das Deusas e contra o tipo de pessoas a quem eram direcionadas.

Contra a minoria que possuía crenças, religiões diferentes. Beauxbatons revidou com violência o que poderia ter sido simplesmente resolvido com palavras de candura, com sinais mansos e pacatos como devem ser todos os sinais que visam angariar seguidores e não os afastar. Ficou claro para nós, minorias, que as Deusas seguem os ensinamentos de Maquiavel e preferem ser temidas a serem amadas.

Caros leitores, a instituição francesa parece estar se tornando o que mais temia.

Uma ditadura religiosa. Enxerguem isso como a verdade e se perguntem, estariam os Noir tão errados assim?


Escrito por: Élise Fierro

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13/03/2021 às 11:45:34

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